quinta-feira, 8 de maio de 2008

PORQUE LEGIÃO URBANA DEU TÃO CERTO?

Os anos 80 foi marcado pelo fim de uma ditadura militar que, no Brasil, foi perdendo força em 1984 por causa do movimento político das “Diretas Já” e teve o seu fim decretado em 1985 com o final do mandato do presidente Figueredo. Antes da queda da ditadura toda forma de pensar e agir era controlada por esse regime. Muitos artistas que resistiram em usar a liberdade de expressão e a licença poética foram exilados do país para não serem literalmente mortos. Com o fim desse regime muitas mudanças aconteceram no país, o que não seria diferente no meio artístico. Quando aquela galera exilada (Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e etc.) voltou pra cá o cenário musical já era outro totalmente diferente. Por isso muitos sumiram do mapa e foram, no decorrer de muitos anos, ressurgir com uma cara totalmente nova, não deixaram de ser bons, mas já não eram mais os mesmos. Esse período de recomposição abriu espaço para muitas banda novas, Blitz, por exemplo foi uma delas, só que Blitz era aquela bandinha sacana que gozava de tudo e de todos, logo não durou muito. Quando o mercado fonográfico percebeu que um mar de possibilidades estava acontecendo foram metralhando no mercado bandas atrás de banda. Acreditem, ERA MUITO LIXO!!! 31 jan Deuno Quem daquela época não lembra, por exemplo, de bandas como Nenhum de Nós, Picassos Falsos, Inimigos do Rei, Plebe Rude, Finis Africae, Ojeriza, Engenheiros do Hawai, Kid Vinil, Dr. Silvana e CIA e muitas outras que agora me falha a memória. Para cada camada de público existia um artista ideal. A molecada tinha a Xuxa e o Balão Mágico, os emos da época tinham os Menudos. Os roqueiros das antigas ainda ouviam Led Zeppelin, Beatles, Pink Floyd, Rolling Stones e fins. Os pagodeiros ainda não tinham com que se alegrarem com a MPB, pois o racismo naquela época ainda era muito evidente. De vinte anos pra cá o racismo no Brasil se organizou para negar a existência do mesmo, logo, naquela época os negros não tinham sequer espaço no meio artístico para promoverem suas obras, a não ser se o cara fosse tão geniail quanto um Gilberto Gil da vida, o que era impossível considerando o nível de bostas que temos hoje nessa modalidade, a saber pagode e funk. A propósito, “Funk” era apenas uma mais palavra americana e era utopia acreditar que hoje assistiríamos sem a menor culpa no horário nobre da globo uma morena boazuda com um shortinho todo enterrado empinando a bundinha na tv e cantando sem o meno pudor “Crééééuu, crééééú. 31 jan Deuno Dessa lavagem toda dos anos 80 algumas bandas, por terem empresário$ com uma visão mais comercial e rentável da coisa, se adaptaram a um estilo que correspondia a um anseio geral do público, logo venderiam mais, dessas eu destaco RPM que foi um boom, mas logo depois sumiu, Titans e Paralamas que fizeram o seu nome se arrastam até hoje.
De todos esses que eu citei teve uma banda que, vamos dizer, humm... tirou sozinho na mega-sena acumulada três vezes. Foi a tal da Legião Urbana. Quando Legião Urbana surgiu o mercado já estava tomado pela oferta de novas bandas e estilos, muita coisa era plágio descarado do que já existia lá fora como os estilos punk e progressivo. O heavy metal ainda não era muito difundido e aceito por aqui, existia sim o público metal, mas eram muito menores, quase imperceptíveis. Renato Russo com o seu trejeito carente, mimado, deprimido, homossexual e rebelde acertou no alvo de uma geração ainda marcada pela opressão do regime militar e pela necessidade de gritar para o mundo “eu sinto ódio, mas quero amar”. Qualquer uma das bandas horríveis que eu citei acima poderia ter sido uma forte candidata à Legião Urbana hoje se usasse veementemente em suas letras coisas do tipo “Hoje eu vou me enforcar porque não agüento mais o vazio que você me causa”, “Somos os filhos da Revolução...” e blá, blá, blá...
Na minha opinião, o que fez a Legião Urbana realmente dar certo além dessa brecha que os anos 80 proporcionou, foi uma coisa vital:
Renato Russo realmente era um cara
{problemático!}

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